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Audiência reforça fortalecimento da rede de saúde mental

25/02/2026

A Prefeitura de São Sebastião do Paraíso participou de audiência pública realizada na Câmara Municipal na noite de terça-feira, 24 de fevereiro, para debater a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental no município. O encontro reuniu autoridades, profissionais da saúde, estudantes universitários, representantes de comunidades religiosas e membros da sociedade civil, promovendo um debate amplo e participativo sobre o tema.

Durante sua fala, o prefeito Marcelo Morais destacou que o suicídio não pode ser tratado apenas como estatística, mas como expressão de uma dor profunda, muitas vezes silenciosa e invisível. Ele ressaltou que o maior desafio do poder público é alcançar justamente aqueles que não procuram ajuda.

Segundo os dados apresentados na audiência, parcela significativa das pessoas que morreram por suicídio no município não havia passado previamente pela rede pública de saúde mental. “Como abordar quem não procura o serviço? Como chegar antes?”, questionou o prefeito, ao defender que a prevenção depende não apenas da estrutura pública, mas do envolvimento da sociedade, da família e das instituições.

O chefe do Executivo também reforçou que o município possui uma Rede de Atenção Psicossocial estruturada e que os números de atendimento cresceram de forma significativa nos últimos anos, refletindo ampliação da capacidade de acolhimento. Ele destacou ainda a importância do “ponto de apoio”, defendendo que muitas intervenções começam com escuta, atenção e responsabilidade coletiva.

Na primeira parte da apresentação técnica, a assessora técnica de gestão em saúde pública, Adriana Rogeri, apresentou o panorama municipal com base em dados da Vigilância em Saúde e dos serviços especializados.

Entre 2007 e 2025, foram registrados 50 suicídios confirmados em São Sebastião do Paraíso, sendo 42 homens e 8 mulheres, evidenciando predominância de casos no sexo masculino.

No recorte entre 2020 e 2025, a maior incidência foi observada entre adultos de 40 a 59 anos, que somaram 23 casos no período. Também foram registrados casos entre jovens de 15 a 29 anos e entre idosos com mais de 70 anos, demonstrando que o fenômeno atinge diferentes faixas etárias.

Outro dado considerado relevante foi a passagem prévia pelos serviços especializados: entre 2020 e 2025, 58% das pessoas que morreram por suicídio não haviam passado anteriormente pelos CAPS do município, enquanto 42% tiveram algum tipo de vínculo com a rede.

A apresentação também contextualizou o cenário nacional e estadual. Em 2021, o Brasil registrou mais de 15 mil mortes por suicídio, com predominância entre homens e crescimento observado na última década, especialmente no período pós-pandemia. Em Minas Gerais, os dados também apontam elevação nos registros. Em 2023, a taxa registrada em São Sebastião do Paraíso foi de 13,4 mortes por 100 mil habitantes.

Na sequência, a coordenadora do CAPS Infantojuvenil Girassol, Daiane Arantes Oliveira, detalhou a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município, composta pelo CAPS II Paraíso, CAPS AD Vitória, CAPS Infantojuvenil Girassol, Unidades de Saúde da Família, UPA 24h e demais pontos de atendimento.

Os números de atendimentos realizados pelos três CAPS demonstram crescimento consistente ao longo dos anos. Em 2009, foram registrados 14.335 atendimentos. Em 2016, ano da implantação do CAPS Infantojuvenil Girassol, o total chegou a 32.553 atendimentos. Nos anos mais recentes, a expansão continuou: foram 34.645 atendimentos em 2022, 38.810 em 2023, 47.894 em 2024 e 57.452 atendimentos em 2025.

A coordenadora destacou que o suicídio é um fenômeno multifatorial, influenciado por fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Entre os principais fatores de risco estão isolamento social, uso prejudicial de álcool e outras drogas, histórico de transtornos mentais, violência, perdas recentes, desemprego e dificuldades socioeconômicas.

Também foram ressaltados fatores protetivos, como apoio social e familiar, acesso aos serviços de saúde mental, participação comunitária, ambientes acolhedores e restrição ao acesso a meios letais.

O secretário municipal de Saúde, Adriano Lopes de Siqueira, reforçou que a prevenção exige qualificação permanente das equipes e atuação estratégica. Ele destacou a importância dos Agentes Comunitários de Saúde como porta de entrada do sistema, defendendo a capacitação desses profissionais para identificar sinais de sofrimento emocional durante visitas domiciliares.

Segundo o secretário, a gestão em saúde mental não se sustenta apenas com estrutura técnica, mas com o fator humano e com articulação intersetorial. Ele também ressaltou a necessidade de atenção a públicos vulneráveis, como idosos em situação de isolamento social, anunciando a implantação de centros de convivência como medida de promoção de saúde e fortalecimento de vínculos.

Entre as ações já iniciadas ou programadas pelo município estão a realização de auditoria para mapeamento dos casos entre 2021 e 2025, a instituição do Comitê Municipal Intersetorial de Prevenção ao Suicídio, capacitação das equipes da rede municipal em parceria com universidade pública e implantação de Centro de Convivência e Cultura.

Após as apresentações, a audiência foi aberta ao público. Estudantes universitários, acadêmicos de Psicologia, representantes religiosos e cidadãos participaram com perguntas e contribuições, ampliando o debate de forma respeitosa e colaborativa.

A Prefeitura reforça que a promoção da saúde mental é prioridade da administração e que a prevenção ao suicídio exige atuação integrada entre poder público, instituições e sociedade civil, com foco na identificação precoce, no fortalecimento da rede de apoio e na construção de uma cultura de cuidado.