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Patrimônio: Paraíso atualiza inventários e fortalece proteção

12/01/2026

A Prefeitura de São Sebastião do Paraíso deu um passo decisivo na valorização de sua história com a atualização de três inventários fundamentais para o patrimônio cultural do município. A medida foi aprovada oficialmente na última reunião do Conselho do Patrimônio, realizada em 19 de novembro de 2025 e consiste em um levantamento detalhado de bens que compõem a identidade local. Ao listar e descrever esses itens, a administração municipal reforça o compromisso em manter viva a memória coletiva da comunidade.

O processo de proteção ao patrimônio se baseia em três pilares principais: o inventário, o tombamento e o registro. O inventário funciona como a etapa inicial de reconhecimento, na qual são identificados e documentados bens como edificações históricas, obras de arte e documentos. Essa ferramenta é essencial para que a população tenha acesso ao conhecimento sobre o que possui valor histórico e compreenda por que esses elementos devem ser preservados.

Além do inventário, o poder público utiliza o tombamento para bens que exigem uma proteção mais rigorosa. Essa medida impede que as características originais de uma construção ou objeto sejam alteradas de forma a descaracterizar sua importância histórica. Já para as tradições que não são materiais, como festas populares, rituais e saberes passados de geração em geração, utiliza-se o registro, que assegura a continuidade do patrimônio imaterial da cidade.

A preservação desses bens, no entanto, não depende apenas de decretos governamentais, mas exige a participação direta dos cidadãos. O conhecimento sobre o que foi inventariado permite que a sociedade valorize suas raízes e atue como agente ativo na proteção da história local. Esse envolvimento fortalece o sentimento de pertencimento e garante que a rica herança cultural de São Sebastião do Paraíso permaneça integrada ao cotidiano das novas gerações.

A história militar de São Sebastião do Paraíso ganha destaque com o resgate da trajetória do Tiro de Guerra, fundado em 1917 pelo tenente Eurico Rodrigues Peixoto. Ao longo dos anos, a instituição passou por mudanças de sede e de nomenclatura: até 1934, era denominada “Escola de Instrução Militar 120”; posteriormente, tornou-se o TG-156, sob a instrução do 1º Sgto. Severino de Morais Lima. Desde 1979, é designado como TG-04-025. A instituição consolidou-se sob a liderança de figuras como o sargento Florêncio de Souza Lima que, em 1940, foi responsável pela expansão regional do treinamento e pela construção do Estande de Tiro Duque de Caxias, preservado até hoje na sede do TG. Desde 1978, as atividades funcionam em local afastado do centro, próximo ao Morro do Baú. O complexo inclui um galpão histórico projetado por Abinoel Colcerniani; outrora utilizado para instrução, o espaço hoje funciona como depósito devido ao crescimento urbano. Esse legado reafirma o papel estratégico do município na formação cívica e militar de Minas Gerais.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Sion, localizada à Av. Wenceslau Braz, nº 1.000, Mocoquinha, é um patrimônio único em Minas Gerais, erguida na década de 1940 pela Congregação de Sion para promover o diálogo judaico-cristão. O projeto, liderado pelo Padre Lino Caliari, contou com a mão de obra especializada de imigrantes italianos, como o marceneiro Virgínio Caliari, e o esforço braçal de seminaristas. Com arquitetura inspirada no estilo europeu, o templo abriga um acervo internacional valioso, composto por vitrais franceses e ladrilhos italianos. Sua estética é marcada pela sobriedade, mantendo poucas imagens sacras conforme a tradição de sua fundação. Após passar por restauros que preservaram suas características originais, a igreja foi elevada a paróquia em 1997 e, em 2024, entregue à Diocese de Guaxupé. Hoje, o local permanece como um símbolo de fé e história, unindo raízes europeias à identidade cultural do município mineiro.

O emblemático Casarão das Paineiras carrega em seus alicerces a própria história da urbanização local. Originalmente parte do sítio de Sebastião Trindade, a propriedade foi adquirida em 1972 por Antonio Alves Ferreira, que liderou uma profunda reforma entre 1979 e 1980, período em que a área foi loteada para dar origem ao bairro Jardim das Paineiras. Com projeto assinado pelo arquiteto campineiro Waldemar José Strazzacappa, a residência de estilo colonial não apenas preservou a tradição arquitetônica, como também eternizou o legado familiar de seu proprietário, que nomeou as ruas adjacentes em homenagem aos seus pais, os professores Benedito Ferreira Calafiori e Lazara Moura Calafiori, e à sua sogra, Rosaria Pichitelli Piccirillo. 

A atualização dos inventários garante que as informações sobre os bens culturais estejam sempre completas e precisas, auxiliando na tomada de decisões para sua proteção e valorização. É fundamental que a população conheça os bens culturais inventariados, tombados e registrados em São Sebastião do Paraíso. Esse conhecimento contribui para a valorização do patrimônio cultural e para o desenvolvimento de ações de preservação.

O município disponibiliza os inventários para consulta pública na Casa da Cultura, localizada provisoriamente à Praça dos Imigrantes, nº 100, bairro Lagoinha, ou pelo telefone (35) 3539-5002. A população também pode acessar informações sobre o patrimônio cultural no site da prefeitura e nas redes sociais.